As fotos abaixo talvez estejam um pouco fora de ordem cronológica, mas como esse post está “aberto”, todo material será revisto quando tiver mais histórias e imagens para acrescentar sobre a vida do Pretinho.

Ela começa com o Bandit, esse aqui de baixo, nosso único vira-lata no começo dos anos 00.

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Bandit tinha alguns amigos da rua, um deles era o Preto que sempre passava em casa para chamá-lo pra passear.

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Quando o Bandit morreu ficou decidido que não adotaríamos nenhum outro cachorro da rua. Mas algumas horas depois o Preto já estava no portão latindo por ele… Essa cena aconteceu por alguns dias até que de repente o Preto desapareceu. Ficamos em dúvida sobre o que poderia ter acontecido e meu irmão decidiu ir no Centro de Zoonoses para ver se não estaria por lá. Estava! Depois desse dia fomos “obrigados” a ficar com o Preto em casa, para evitar que isso acontecesse novamente (sem um final feliz).

O estilo de vida dele se tornou um pouco parecido com o do Bandit então, ele usava a casa como hotel, tinha passe livre para a rua e os outros cachorros de rua vinham chamá-lo pra passear de vez em quando. Foi assim que o Pretinho apareceu, se não me engano. E a história quase se repetiu com a diferença de que o Pretinho entrou para dormir em uma ocasião que estava muito frio, depois disso foi ficando algumas outras vezes… até que se tornou mais um adotado. Pretinho era filho do Preto.

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Aqui ele estava sem pelos brancos ainda, era “filhote” e o mais rebelde de todos cachorros que já conheci. Com o tempo ia mudar, mas…

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Enquanto isso… era assim que ele se comportava quando saía com a gente! Aqui estava brincando na lama, e não bastasse isso ainda resolveu beber a água. Claro que tomou bronca, mas era assim a maior parte do tempo.

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Com o passar do tempo ele foi melhorando e começando a ouvir mais a gente.

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Na época da foto abaixo, no auge da minha Fotografia pessoal com filme, eu decidi guardar uma representação do tempo ao lado dele. A foto está um pouco desfocada mas é o que tem. A pose dele e o olhar são extremamente representativos. Era 2005.

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Passado algum tempo a gente já tinha 5 cachorros: Preto, Pretinho, Gogot (que a gente pegou grávida da rua), o Sissinho e o Simba. Depois de muito tempo já morando com a gente um vizinho de bairro veio nos avisar dizendo que tínhamos roubado o Pretinho dele, e nos apresentou sua mãe. Na verdade achamos que ele desistiu de morar lá porque encontrou mais conforto na nossa casa. Ficamos sabendo também que ele ainda fazia suas visitas à casa natal mesmo depois dessa mudança. Mas o ex-dono não ficou bravo com isso, não, apenas fazia algumas visitas pra dizer ao Pretinho que ele havia trocado de família.

Eu deveria ter uma boa foto do Sissinho e do Simba (filhos da Gogot) ainda filhotes junto do Pretinho, mas toda vez que saíamos pra tirar fotos ele resolvia voltar mais cedo pra casa.

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Essa foto apresenta todo mundo menos o Preto, que decidiu sair pra passear numa noite dessas e nunca mais voltou.

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 Aqui uma transição para o período mais caseiro dele, quando já começávamos a proibir de sair de casa sob risco de ter mais problemas como alguns que aconteceram. Numa briga com cachorro grande ele voltou com o pescoço rasgado e precisou tomar mais de 20 pontos! Tinha um rastro de sangue da esquina de casa até a porta da frente. Nesse dia dormi com ele pra evitar que mexesse no ferimento. À partir daí ele começou a me obedecer um pouco mais… depois teve outro caso em que foi envenenado. Achamos que ia morrer mas ele foi forte. Passei mais uma noite ao seu lado e as coisas mudaram definitivamente, de repente começou a me ouvir mais.

 Ficou mais caseiro, mas ainda manteve suas características.

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A pata desfocada em primeiro plano é ela encostada no filtro, que ficou riscado.

Como disse, tudo ficou mais calmo com mais tempo dentro de casa.

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Nessa época eu já estava começando a fotografar menos com filme e cada vez mais usava a digital. Aqui ele está de modelo ajudando a divulgar o trabalho de Patchwork da minha mãe:

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Ele fazia tanto parte da família que chegou a comemorar um Natal com a gente. Os outros cachorros não ligavam muito para essas datas, mas ele sempre estava junto.

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Até hoje não sei se é a Gogot ou o Sissinho que está descansando com ele nessa foto. Essa mordomia acabou já faz tempo, todos os cachorros são proibidos de subir em cama hoje em dia. No máximo a gente dá um pouco de tolerância pro Sissinho que tem medo de fogos, trovões e coisas do gênero, e às vezes se protege vindo pra perto da gente.

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Em Julho desse ano minha mãe disse que o Pretinho resolveu pular o portão de casa pra correr atrás de outro cachorro e acabou cortando a barriga. Foi tomar pontos e aproveitou-se para fazer exames. Descobrimos então que os rins estavam quase sem funcionar já, com expectativa de vida muito baixa. Quando fiquei sabendo disso consegui tirar uns dias de folga pra ficar com ele e fotografar o máximo possível das situações cotidianas enquanto fazia o tratamento.

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Um final de tarde desses…

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Nessa foto ele estava entrando feliz no carro, acho que não havia lembrado que estava indo fazer aplicação de soro (para ver se os rins se recuperavam um pouco).

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Aqui tomando injeção no veterinário.

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Aqui a vida dura com o abajur (por causa dos pontos na barriga).

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Tentei fotografar um passeio com ele esperando já que talvez fosse um dos últimos. Infelizmente esses “passeios” na verdade eram apenas a ida ao veterinário. Nos preocupávamos com a idéia dele descansar para se recuperar, então nada de abusos.

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Infelizmente o tratamento não mudou nada as condições dele. O que ficou claro foi que era apenas questão de tempo, mesmo.

Assim como a primeira foto do Pretinho, apresentada lá em cima, essa aqui é o que vai ficar na memória. Com o passar do tempo dá pra perceber (na sequência de imagens) que ele foi ficando com pelos brancos no rosto, e parou de ter a orelha dobrada, mas ironicamente, para essa foto, uma das últimas que fiz dele, isso aconteceu naturalmente e lembrei o que ouvi em certa ocasião: quando as pessoas ficam velhas, elas também voltam para a infância. Essa foto é isso mesmo, a representação estética de como lembro ele quando era mais jovem, ativo, pedindo pra brincar com ele, com a orelha dobrada e esse “olhar fixo” que ele sempre teve para comida, e para pessoas quando queria brincar.

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Quarta-feira passada recebi um telefonema da minha mãe dizendo que ele estava muito mal e que não ia resistir muito tempo. Não consegui ir no dia, mas na Quinta estava por lá no começo da tarde. A idéia era sair com ele para um último passeio e talvez dar algo que gostasse de comer mas infelizmente a situação já era crítica. Só tive tempo de ficar com ele um pouco no colo e o resto dos detalhes vou pular dizendo apenas que ele morreu na nossa mão, em um dia quente e de luz bonita. Viveu pelo menos 6 meses além do esperado, e muito bem durante toda sua estadia conosco.

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Enterrei com ajuda de uma vizinha na Floresta Estadual de Rio Claro, logo atrás desse mato. Foi a única foto que tive coragem de fazer nesse dia.