Dias atrás decidi gravar um vídeo em Full HD testando o novo modo de gravação em raw da Canon 5D MKIII através do firmware Magic Lantern. Só agora que recebi o cartão Transcend 1000x 128GB CF é que pude finalmente testar essa resolução. O resultado pode ser visto abaixo, o vídeo foi gravado no Minhocão:

MINHOCÃO

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O link para visualização no Vimeo é:

MAGIC LANTERN RAW

Não se esqueçam de fazer download dele para observar a qualidade atingida sem tanta compressão.

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Meu workflow nesse exato momento é instalar o firmware na câmera, habilitar a gravação em raw e sair para fotografar. Infelizmente isso tudo ainda não funciona sem bugs, digamos assim, mas a cada dia que passa está mais estável, isso é fato. Mas o maior problema não é esse, nem a aquisição de um Compact Flash extremamente rápido (e caríssimo), mas sim o workflow, extremamente pesado e complicado – isso acontece porque não há software adaptado a essa nova realidade ainda.

Só para terem uma idéia, ao transferir o material para o computador, nós temos arquivos .raw que precisam ser transformados em formato DNG e só depois disso abriremos cada frame desses no ACR para fazer os ajustes básicos da imagem. Em seguida exportamos um TIFF 8-Bit de cada frame e aí sim importamos no Adobe Premiere como ‘image sequence‘ para termos um take completo Aí forçamos um render de toda a timeline para poder ter real time playback, caso contrário não dá para visualizar nada em movimento. Cada foto, ou frame, como preferirem, possui tamanho de 3.83MB na resolução em que foi gravado esse vídeo (1920x1152px).

Façam as contas e tentem imaginar o quanto de informação um vídeo curto desses ocuparia no seu disco rígido depois que você descomprimir tudo e começar a salvar em TIFF! Esse trabalho é maior e muito mais demorado do que parece ao ler aqui, já que depende muito da qualidade de cada computador. E olha que nem entrei na questão de como estruturar as pastas com cada take e muito menos estou discutindo a sincronia de áudio que pode se tornar um inferno se você utilizar a opção de gravar mudo (como eu precisei fazer) sem se precaver.

Acredito que a qualidade do material final é tão melhor do que a conseguida através do padrão de gravação interna da Canon (codec H.264) que a gente consegue aceitar com menos dor a idéia de ter mais trabalho para processar tudo isso. Um ponto também importante de citar é o quanto fica nítido (depois de algumas experiências) que haverá uma necessidade de se pensar mais em pré-produção para otimizar o tempo gasto na pós ao trabalhar com esse formato de arquivo. Essa pausa para se pensar mais antes de apertar o botão de gravação tende a ser bem-vinda na maior parte das produções e inclusive tende a melhorar a qualidade narrativa dos vídeos.

Equipamento utilizado:

– Canon 5D MKII
– Canon 45mm f/2.8 TS-E
– Transcend 128GB 1000x CF
– Zoom H4n